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Mercado brasileiro avança com cenário eleitoral, mas riscos fiscais e externos permanecem no radar

Bolsa sobe, dólar fica abaixo de R$ 5 e juros recuam em meio às expectativas para o cenário fiscal e externo.

07/10/2026 às 10h54 Atualizada em 07/10/2026 às 11h04
Por: Rádio Cidade
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Arte - Rádio Cidade
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O mercado financeiro brasileiro atravessa um momento de maior disposição dos investidores para assumir riscos, impulsionado principalmente pela leitura do cenário eleitoral e pela expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos. O movimento tem favorecido a valorização do real, a entrada de recursos estrangeiros e a redução dos juros de prazo mais longo. Apesar do ambiente positivo no curto prazo, questões fiscais no Brasil, a inflação americana e os preços do petróleo ainda podem mudar esse cenário.

Cenário internacional:

A divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, está entre os principais eventos acompanhados pelo mercado nesta quarta-feira (7). As estimativas citadas no material apontam uma probabilidade próxima de 80% de manutenção dos juros americanos entre 3,75% e 4% na reunião de outubro.

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A expectativa ocorre após sinais considerados mais favoráveis na inflação e um resultado mais fraco na geração de empregos em setembro. Ainda assim, a inflação anual medida pelo PCE foi registrada em 3,4%, acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

A eventual manutenção dos juros em outubro, porém, não significa que o banco central americano tenha encerrado sua política de controle da inflação. A comunicação dos dirigentes e a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para 14 de outubro, podem mudar as expectativas para os próximos meses.

Outro ponto de atenção é o petróleo, que se aproxima de US$ 100 por barril. As tensões no Estreito de Ormuz, as tarifas comerciais e os custos relacionados à expansão da inteligência artificial também são apontados como fatores capazes de manter a inflação pressionada.

Se a economia americana continuar apresentando atividade forte ao mesmo tempo em que a inflação permanece acima da meta, os juros podem continuar elevados por mais tempo. Nesse cenário, os títulos do governo americano, o dólar e as condições de financiamento no mercado internacional podem ser pressionados.

Bolsa, dólar e juros no Brasil:

No Brasil, o mercado registrou forte movimento de alta após o primeiro turno das eleições. O Ibovespa encerrou o pregão aos 205.835 pontos, depois de uma valorização de 7,7% na sessão anterior.

O dólar fechou em R$ 4,9756, enquanto os juros negociados para os próximos anos recuaram, principalmente nos prazos intermediários e mais longos.

O fluxo de recursos estrangeiros também ganhou força. Segundo os dados apresentados no material, R$ 2,6 bilhões entraram no mercado brasileiro em outubro, sendo R$ 2,3 bilhões somente na sexta-feira.

Bancos e casas de análise mencionados no levantamento aumentaram a exposição a ativos brasileiros diante da expectativa de uma possível melhora das contas públicas. Essa avaliação, no entanto, depende da formação do próximo governo e da capacidade de aprovar medidas no Congresso.

Entre as possibilidades discutidas no mercado está uma agenda de ajuste fiscal estimada entre R$ 190 bilhões e R$ 200 bilhões. O valor, porém, aparece como uma informação de bastidores, sem detalhamento das medidas ou garantia de que será efetivamente executado.

A composição do Congresso, eventuais mudanças na Constituição e a relação entre Executivo, Legislativo e Supremo Tribunal Federal também podem influenciar a capacidade de aprovação dessas medidas e a percepção dos investidores sobre o risco brasileiro.

Indicadores em destaque:

O Ibovespa, em 205.835 pontos, reflete o forte movimento recente de valorização. Apesar disso, o avanço também aumenta a possibilidade de oscilações e realização de ganhos por parte dos investidores.

O dólar, a R$ 4,9756, beneficia empresas que dependem de produtos importados e reduz o custo, em reais, de dívidas em moeda estrangeira que não estejam protegidas contra a variação cambial. Por outro lado, uma eventual reversão da valorização do real pode elevar novamente esses custos.

Nos juros, o contrato com vencimento em janeiro de 2029 estava em 12,445%. A redução das taxas melhora as condições para empresas que buscam financiamento e pode facilitar novas emissões no mercado, mas não elimina a necessidade de avaliar a capacidade de pagamento de cada empresa.

Já o petróleo Brent para dezembro de 2026 era negociado a US$ 100,58 por barril, mantendo pressão sobre custos de transporte, energia e produção.

Efeitos para as empresas:

A queda dos juros de longo prazo pode abrir espaço para novas captações e reduzir o custo de financiamento de empresas que têm acesso ao mercado de capitais. Esse movimento, contudo, depende da manutenção da queda dos juros brasileiros e da continuidade da entrada de recursos estrangeiros.

A valorização do real também traz efeitos diferentes para cada empresa. Importadores podem ser beneficiados, enquanto companhias que recebem em dólar podem ter redução do valor de suas receitas quando convertidas para reais.

Por isso, empresas com operações internacionais precisam acompanhar suas proteções contra a variação do câmbio, eventuais diferenças entre receitas e despesas em moedas diferentes e o calendário de pagamentos.

A inflação também permanece como ponto de atenção. A alta do petróleo, dos fretes, da energia e de produtos importados pode aumentar os custos e exigir mais recursos para manter as operações, especialmente em empresas que têm dificuldade para repassar esses aumentos aos preços.

Risco fiscal continua no radar:

Apesar do ambiente favorável observado nos mercados, a expectativa de melhora das contas públicas ainda é uma possibilidade que depende de decisões políticas e da aprovação de medidas.

Caso uma eventual agenda de ajuste fiscal seja reduzida, atrasada ou não consiga apoio suficiente, os investidores podem voltar a exigir juros maiores para financiar o governo. Isso poderia pressionar novamente o câmbio e elevar o custo de financiamento para empresas e consumidores.

O cenário também exige atenção a empresas mais expostas aos preços dos combustíveis, ao câmbio, ao consumo e ao crédito. O material destaca ainda eventos envolvendo Raízen, Sigma Lithium e Enel SP, que devem ser acompanhados pelos possíveis efeitos sobre caixa, endividamento e compromissos financeiros.

Próximos eventos:

Entre os principais pontos de atenção para os próximos dias está a divulgação, nesta quarta-feira (7), às 15h, da ata da reunião do Federal Reserve. O mercado deve observar principalmente as avaliações sobre inflação, emprego e os próximos passos dos juros americanos.

Também nesta quarta, às 14h30, estão previstos dados sobre o fluxo de dólares no país e informações da Anfavea, importantes para acompanhar a entrada e saída de recursos e o desempenho do setor automotivo.

No dia 14 de outubro, será divulgado o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos. O resultado pode alterar as expectativas para os juros americanos e influenciar os títulos do governo dos EUA.

No Brasil, pesquisas eleitorais, debates e alianças também devem continuar no radar dos investidores nas próximas semanas. O cenário político pode mudar a percepção sobre o resultado das eleições e sobre a capacidade de um futuro governo de aprovar medidas no Congresso.

Cenário exige cautela:

O ambiente atual é favorável aos ativos brasileiros no curto prazo, mas ainda depende de dois fatores principais: a evolução da inflação nos Estados Unidos e a transformação das expectativas de ajuste fiscal no Brasil em medidas concretas e aprovadas.

Para empresas que buscam crédito ou precisam administrar dívidas, o momento exige atenção às oscilações do dólar, dos juros e dos custos de energia. Também é importante revisar operações expostas ao câmbio e manter margem de segurança diante da forte valorização registrada recentemente nos mercados.

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