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Prof. Helle Borges comenta o "Lula 3.0", sua mais recente versão política; porém, sem as "atualizações" para o poder de articulação.

Até aqui, o alardeado poder de sedução do presidente não fez nenhuma mágica.

10/06/2024 às 15h49 Atualizada em 10/06/2024 às 16h54
Por: Helle Borges
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Foto - Frame/Rádio Cidade 104.1FM
Foto - Frame/Rádio Cidade 104.1FM

Em mais de quatro décadas como figura pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi considerado um expert da articulação política. Sua capacidade de diálogo com divergentes, forjada desde os tempos de líder sindical em São Bernardo do Campo (SP), rendeu-lhe a fama de "encantador de serpentes". Somando a um amplo apoio popular, isso contribui para que tivesse uma relativa tranquilidade nas relações com o Congresso em suas duas primeiras gestões. Na versão 3.0, entretanto, o petista chegou ao poder com margem estreita de votos e, no cargo, vê sua popularidade em queda antes de chegar a metade do mandato. Para piorar, tem a menor base parlamentar desde a redemocratização e interage com uma Câmara e um Senado pulverizados e inclinados à direita.

Confira a análise na íntegra:

Jornal da Cidade - 1ª Edição (10/06/2024)

Até aqui, o alardeado poder de sedução do presidente não fez nenhuma mágica na articulação política, campo no qual enfrenta grandes dificuldades. Os sinais tem sido dados desde o início do governo, mas nos últimos dias ficaram mais evidentes com uma sequência de derrotas. Os parlamentares derrubaram o veto de Lula à suspensão das saidinhas de presos e mantiveram o do ex-presidente Jair Bolsonaro à criminalização das fake-news em períodos eleitorais. Na sessão, marcada por críticas à articulação e acusações de quebra de acordos, o governo só salvou o veto ao restabelecimento do calendário para pagamento de emendas parlamentares.

Apesas de não ser o primeiro golpe (e provavelmente não será o último), o governo sentiu. Lula imediatamente retomou as reuniões semanais com representantes da Fazenda e da Casa Civil e líderes no Congresso, como o deputado José Guimarães e o senadores Jaques Wagner e Randolf Rodrigues, além de Alexandre Padilha, em tese o ministro responsável pelas conversas e acordos no Congresso. O presidente prometeu entrar na negociação política e convocou ministros a fazer o mesmo. O recado foi para os filiados a siglas que comandam pastas na Esplanada, mas se comportam como independentes nas votações,como Republicanos, PP, PSD e União Brasil. O Executivo tentou minimizar as derrotas e atribuiu os reveses ao caráter ideológico das pautas. "Nada do que aconteceu nas sessões do Congresso surpreendeu os articuladores do governo", disse Padilha.

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