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"Só quero meu cantinho pra surfar": Surfistas pedem praia liberada para a prática durante a pesca de tainha

Associação usou a tribuna legislativa de Itapema para buscar revisão de lei que restringe esportes náuticos na época da pesca

06/05/2024 às 16h02 Atualizada em 06/05/2024 às 16h39
Por: Cidade 104.1
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Foto - Divulgação/CVI
Foto - Divulgação/CVI

Na última terça-feira (30/05), a Associação de Surf Amigos de Itapema (ASAI) tomou a iniciativa de utilizar a Tribuna do Povo para expressar suas preocupações e solicitações perante a legislação vigente que impacta diretamente a comunidade surfista local. Durante a sessão, Rafael Benetti, Diretor de Comunicação da ASAI, apresentou formalmente o apelo por uma revisão da Lei Municipal nº 3878/2019.

Essa lei específica define um período anual, de 1º de maio a 15 de julho, durante o qual a prática de esportes náuticos é proibida em todas as praias de Itapema. A medida visa proteger as atividades de pesca artesanal da tainha, uma tradição econômica e cultural significativa para a região. No entanto, essa restrição coloca em cheque a prática do surfe e outros esportes náuticos.

O pedido da ASAI é claro: liberar pelo menos uma das praias do município para a prática do surfe durante o período restritivo. Além disso, a associação propõe a implementação de um sistema de bandeiras eficaz que permitiria o surfe em dias de mar agitado, condições estas que geralmente são desfavoráveis à pesca. Este sistema não só otimizaria o uso compartilhado do espaço costeiro, como também garantiria que as atividades de surfe não interferissem negativamente na pesca da tainha.

A defesa feita pela ASAI na Tribuna do Povo reflete uma tentativa anterior da associação de modificar a legislação, que incluiu a apresentação de um abaixo-assinado em 2022, reforçando o pedido de revisão da lei.

A comunidade surfista de Itapema aguarda uma resposta do poder público local, na esperança de que possa ser encontrada uma solução que harmonize os interesses dos pescadores artesanais com os dos praticantes de esportes náuticos, promovendo assim um equilíbrio sustentável que beneficie todas as partes envolvidas.

Embate não é de hoje...

A busca por um equilíbrio entre estas duas práticas foi melodicamente capturada pelo músico Armandinho em sua canção "Só Quero Meu Cantinho Pra Surfar". A letra ressoa com o desejo dos surfistas de terem acesso ao mar, mesmo durante a temporada de pesca, clamando por um lugar onde possam praticar o esporte sem interferências.

A situação em Itapema é um reflexo de um embate mais amplo que se desenrola ao longo do litoral de Santa Catarina, onde a necessidade de coexistência entre a tradição da pesca e o turismo esportivo tem sido motivo de discussões intensas e, por vezes, acirradas. Por um lado, os pescadores defendem a preservação de suas práticas tradicionais e o sustento que delas derivam. Por outro, os surfistas e outros entusiastas de esportes náuticos buscam garantir o acesso ao mar para prática de suas atividades, fundamentais não só para o lazer, mas também para o turismo local.

O diálogo entre as partes interessadas é crucial para desenvolver uma política que respeite tanto a herança cultural dos pescadores quanto as necessidades da comunidade surfista, promovendo assim uma convivência harmoniosa e sustentável entre estas duas importantes facetas da vida costeira em Santa Catarina.

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